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Expediente de Sábado (anti-penúltimo capítulo da saga Vestido Pra Matar).
Saldo: Não me pesei, 3 cigarros, 0 unidade alcólica, 1 tarado me cantando dentro do ônibus, 1 teoria sobre os homens e 1 dor horrenda de estômago.
Então, acordei melhor. Não lembro exatamente com o que eu sonhei, mas tinha a ver com o Fabb falando em Francês comigo.
Tá certo que eu acordei meio que com raiva dele, mas eu pensei muito (tanto que a comida queimou) e cheguei a uma conclusão:
Nas fábulas infantis existem os príncipes encantados. Homens que eram perfeitos, vestiam roupas azuis, eram carinhosos e gentis, ademais de andarem a cavalo.
Nas fábulas modernas (em especial as que os protagonistas são workaholics, gordinhos, gays e fumantes - ou que sejam a personificação desses três fatores assim como Eu), os príncipes encantados deram lugar aos caras galinhas, sexólatras, depravados, drogados que usam roupas de couro (nada a la Pit Bicha) e ao invés de um cavalo, ostentam uma moto ou um carro.
Anda difícil encontrar homem decente, não somente nas fábulas modernas como em Nova Yorque, Paris, Madrid e São Paulo.
Mediante essa teoria, tentei enquadrar o Fabb em um desses arqueótipos e percebi que ele não é galinha, sexólatra (hum...?), não é depravado ,nem drogado que usa roupas de couro e nem têm moto e nem carro. Ele é um cara maduro que mexe com os meus sentimentos e que, infelizmente, tem alguns problemas pendentes com o ex.
Ao invés de bater o pé e ficar chorando, me entupindo de chocolate a noite inteira como se eu fosse uma criança imatura e caprichosa eu deveria compreendê-lo, pois, como ele mesmo diz, um amor de 3 meses não se apaga com uma borracha, apenas se transforma em uma outra escultura especial chamada amizade que podemos guardar dentro do coração, e, esse não é um processo fácil, como todo serviço de marmoraria, mas o Fabb está dando o melhor de si para que essa obra fique pronta.
Eu sei que eu viajei nos pensamentos, e na hora me bateu uma vergonha, uma vontade de ligar, ouvir a voz dele e pedir desculpas, pois eu tb estou construindo uma escultura para ele no meu coração, e, odeio admitir mas, eu gosto dele.
Acabei ligando, e ele estava dentro do ônibus, mal podia falar comigo...
Então, voltei às minhas atividades: cozinhar, dar comida pra cachorros e ir, correndo a rodoviária. Bem, essa última missão foi a pior, porque o ônibus não passava e eu tive que pegar um taxi, descer no banco, tirar dinheiro e entrar correndo pelo terminal rodoviário (bem tipico).
Cheguei no ônibus e sentei na poltrona 9 (que era onde o meu ticket estava marcado) e do meu lado tinha um cara, aparência de uns 40 anos, moreno, alto e que, do nada, começou a puxar assunto comigo. Conversamos sobre cinema, teatro, música e... depois de 2 horas de trepidações vocais ele solta:
Tarado: Gostei de te conhecer...
Sieger: Obrigado. Vc tb é um cara legal!
Tarado: Vc tem alguém? (eu queria saber se tem uma placa em cima de mim dizendo: SOU GAY).
Sieger: Eu tô saindo com alguém... Ainda não temos nada mas estou gostando muito dessa pessoa.
Tarado: Deve ser uma pessoa feliz...
Sieger: Isso eu não sei.
(...)
Então o tarado pegou na minha mão no ônibus e eu fiquei vermelho e sem reação. Na verdade eu queria descer do ônibus logo, mas precisava ir ao final da linha para comprar a minha passagem de volta e o tarado ia pra lá tb. @#$%¨!
Chegando lá, o tarado soltou:
Tarado: Nossa! Você é todo gostoso! (envergonhado, baixei a cabeça e o boné pra cobrir a cara).
Tarado: Toma aí (ele deu um cartão com o numero de telefone dele e disse no final). Deve ser uma delícia comer você!
Sieger: Eu te ligo (mas mentalmente eu disse: vá a merda seu pervertido!)
Me senti um pedaço de carne sendo oferecido a um urubu. Rasguei o cartão dele e fui pra minha casa.
Comi alguma coisa, assisti Rebelde e depois me arrumei para ir a praia, mas, magicamente, surgiu uma dor na alma do estômago dessas que, se duvidar, faz a gente rolar no chão e pedir arrego por todos os pecados que cometemos durante a nossa vida.
Ficamos na praia, vendo as SOS Malibus passarem de roupas brancas, e uns caras se achando o Xanddy do harmonia do Samba cantando umas musicas num palco. Então, o ano novo começou, nos confraternizamos e vimos os fogos. Me deu uma sensação de esperança...
por Sieger às [8:23 PM]
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